Virada, recorde, elenco, Fernandes e Jorginho

O Figueirense não jogou bem de novo no Scarpelli, mas outra vez teve disposição e coragem para superar as dificuldades, reverter o placar e ganhar mais uma partida em casa na qual era favorito destacado.

Isso reforça o grande momento vivido pela equipe, que não se abate quando está atrás do placar e agora tem um técnico que perdeu o medo de arriscar. É só ver os números do Figueira no campeonato. Até bem pouco tempo atrás, o time não conseguia reverter resultado. Agora consegue e faz valer seu favoritismo.

Fernandes

Fernandes é craque, ídolo, sabe jogar, não está acabado para o futebol e pode ser útil para o time. Mostrou isso mais uma vez ontem. Faltava aquele velho poder de decisão, que voltou com força e garantiu uma vitória fundamental ao Figueirense.

Por uma série de razões, as discussões entre os torcedores alvinegros estão muito acirradas. Junto com a avaliação dos motivos pelo pouco público nos dois últimos jogos, é um bom tema para debate.

No caso de Fernandes e Elias, esse acirramento fica evidente. Nem Fernandes é um velho acabado para o futebol nem Elias é um enganador que não joga nada.

Os dois têm qualidade. Os dois podem contribuir muito para o time. Os dois estavam jogando abaixo de suas possibilidades. Fernandes brilhou ontem. Elias pode resolver jogos em outros momentos. Os dois merecem apoio do torcedor em vez de serem vítimas de divergências que vão além e acima deles.

Recordes

Fernandes se igualou a Edmundo e com 15 gols marcados é agora o maior artilheiro do Figueira na série A ao lado do Animal. O time dirigido por Jorginho superou a marca de 2004 e chegou a 11 jogos sem perder. De quebra, completou a quarta vitória consecutiva, marca nunca antes alcançada pelo Alvinegro na primeira divisão.

A fase é muito boa e o time tem reais chances de chegar a Libertadores. Tem uma tabela complicada, que, aliás, seria desesperadora se estivesse precisando pontuar para escapar do rebaixamento, mas não há bicho papão nesse campeonato.

Falta, no entanto, criar um clima verdadeiramente favorável na torcida. Como disse acima, é um tema a ser abordado, mas por algumas razões ou boa parte da torcida está indiferente ou satisfeita com a campanha ou incrédula de que o time possa ir mais longe. Por que isso está acontecendo e o que fazer para trazer o torcedor ao estádio?

Jorginho

Há suposições para as quais nunca teremos respostas. Parte da torcida, inclusive eu, pegou pesado demais com Jorginho ou essa cobrança forte evitou a acomodação e fez o técnico rever seus conceitos?

O certo é que o Jorginho deste momento não é o mesmo Jorginho que começou o campeonato. É um técnico mais ousado e, por consequência, mais completo. Antes, como eu mesmo critiquei aqui, o treinador só procurava resposta para uma pergunta: o que faço para não perder? Agora trabalha para responder: o que faço para ganhar?

Então mérito a Jorginho. Não tenho pretensão de responder por quais motivos o técnico melhorou seu trabalho. Pode ser, simplesmente, fruto da experiência acumulada ao logo do tempo à frente do time, mas evoluiu muito.

Primeiro encontrou uma formação e um jeito de jogar fora de casa, conseguindo grandes resultados como visitante. Dentro do Scarpelli ainda não está redondo como todo mundo quer, mas é mesmo complicado decidir alterar uma escalação que vem de um bom resultado na partida anterior.

Só que no atual momento, Jorginho está conseguindo fazer alterações durante a partida que mudam a forma do time jogar. Não é mais aquela coisa quadrada, mecânica, de trocar seis por meia dúzia.

O que fazer para ganhar? Tira Elias, bota Aloísio, joga com três atacantes e vai pro abafa para virar o jogo contra o América. Maicon sentiu? Sai, entra Fernandes, avança o time e reverte o placar novamente. “Ousar lutar, ousar vencer”, já dizia o velho revolucionário…

Elenco

E claro que o grupo de jogadores do Figueira, cuja base vem do ano passado, também merece elogios. O fato de ter dado resultado sob o comando de Goiano e agora repetir a dose com Jorginho, mostra que é um elenco comprometido, unido e de qualidade.

Mesmo nos piores momentos, não se tem registro de desavenças entre os jogadores. Isso também é importante para fazer história e superar marcas.

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