Cobranças e recados

Dia de cobranças no CT do Cambirela. A diretoria se reuniu com os jogadores e a comissão técnica e ressaltou a importância e o investimento feito para se conquistar o título estadual.

O jogo contra o Atlético de Ibirama foi antecipado para sábado e na segunda, dia 21, o elenco entra em regime de concentração em um hotel em Santo Amaro da Imperatriz. São medidas acertadas.

Ao se analisar a declaração de Rodrigo Prisco Paraíso, diretor da Figueirense Participações, publicada no ClicRBS, depreende-se o futuro do técnico Alexandre Gallo depende do desempenho do time na decisão do campeonato.

Vitória com autoridade

O Figueirense precisou de 18 minutos para virar e liquidar o jogo contra a Chapecoense na noite desta quarta-feira, no estádio Índio Condá, em Chapecó.

Depois de um primeiro tempo mediano, no qual o time mais uma vez teve dificuldade em criar jogadas de ataque e mais uma vez saiu atrás no marcador, tomando gol em bola alçada para área, o técnico Alexandre Gallo fez duas substituições no intervalo, mudou o modo da equipe jogar e precisou de 18 minutos para chegar aos 3 a 1 no placar.

A capacidade de reação, depois da entrada de Tuta no lugar do volante Luiz Henrique, e de Marquinhos no lugar de César Prates, além dos golaços de Felipe Santana e Wellington Amorim e da tranqüilidade de Rodrigo Fabri para escolher o canto e bater o goleiro no terceiro gol, mostram que o time tem qualidade técnica para jogar mais do que tem jogado na maioria das partidas fora de casa.

Depois de fazer o terceiro gol, o time administrou o resultado, mas ainda perdeu uma chance clara de fazer o quarto gol com Cleiton Xavier.

Gallo, no entanto, ainda não encontrou o jeito certo de o time jogar fora de casa. O 3-6-1 com dois volantes, Rodrigo Fabri mais adiantado e Wellington Amorim como único atacante funcionou bem na goleada contra o Joinville no Scarpelli, mas não foi eficiente no jogo contra o Juventus, em Jaraguá do Sul, e no primeiro tempo do jogo desta quarta-feira.

No Scarpelli, são os outros times que se retraem, permitindo que o Figueira venha tocando a bola. O Furacão Alvinegro também adianta a marcação, pressionando o adversário mais à frente e partindo em velocidade quando retoma a bola. Fora de casa, é o Figueira que se retrai, dando campo para o adversário. Os defeitos do sistema defensivo ficam mais evidentes, principalmente porque os volantes até agora não mostraram nem grande poder de marcação, desarme e cobertura e tampouco têm muita qualidade na saída de bola. Cleiton Xavier, que poderia fazer essa transição, acaba jogando mais adiantado. Pelos lados, mesmo soltando os laterais, os zagueiros e Diogo para passarem em velocidade e cruzarem na área, não há ninguém por lá, porque Fabri e Amorim são jogadores de movimentação e não trombadores.

No segundo tempo de hoje, com o time mais adiantado e ligado, e Tuta, que fez uma estréia discreta, prendendo dois zagueiros, os gols saíram, a vitória veio e o Figueira continua no encalço do Criciúma.

Expulsão infantil

A expulsão de Marquinhos no fim de jogo em Chapecó foi de uma infantilidade ímpar. Ele foi agredido, o árbitro viu, expulsou o agressor e mesmo assim Marquinhos se levantou e saiu atrás do jogador da Chapecoense, levando corretamente o cartão vermelho. Desfalca a equipe no próximo jogo e pode levar ainda um gancho mais longo quando for julgado.

Horário só para referência

De todos os jogos que vi neste estadual, seja no estádio, na TV aberta ou no PPV, não houve um que começasse no horário. São sempre cinco ou 10 minutos de atraso, no mínimo. O próprio Figueirense anda contribuindo decisivamente para isso. No Scarpelli, o time inicia o aquecimento no vestiário e vem para o campo finalizá-lo faltando cinco ou 10 minutos para o início do jogo. Já teve partida que o adversário entrou no gramado para iniciar o confronto e os jogadores alvinegros ainda estavam se aquecendo. Será que a multa por atraso é simbólica ou não existe?

Além disso, um dos motivos para fechar contrato de TV aberta com a Record foi que a emissora, além de pagar mais, aceitou transmitir os jogos noturnos às 20h30 e não no horroroso 21h50 global. Isso funcionou no ano passado. Esse ano a Record já empurrou os jogos de quarta-feira para as 21 horas.

A maratona continua

Quando entrar em campo nesta quarta-feira à noite em Jaraguá do Sul para enfrentar o Juventus, o Figueirense vai fazer sua 12ª partida em 37 dias, média de um jogo a cada três dias. Antes dessa maratona, a equipe fez uma curta pré-temporada, de pouco mais de 15 dias e que, supostamente, deveria preparar a base física para toda a temporada.

Por conta disso, alguns jogadores já enfrentaram ou enfrentam lesões musculares e outros tiveram um desempenho abaixo da crítica nas primeiras partidas, como o lateral/meia Marquinhos.

Os números acima mostram que o calendário do futebol brasileiro precisa de ajustes. Melhorou bastante, principalmente para quem está garantido nas séries A e B, mas são justamente esses que mais sofrem porque os campeonatos estaduais começam mais cedo do que deviam.

Talvez a situação melhore em 2009, quando em vez dos atuais 12 participantes o campeonato catarinense terá 10. Isso se não fizerem uma fórmula mirabolante que estique a competição até as portas da série A do brasileirão.