Quase lá

Ô time desgraçado esse Figueirense. Quando a gente já está se conformando com o que tem, achando que está bom demais, esse time vem aguçar nosso entusiasmo e nossos sonhos, deixar aquela pergunta no ar: e por que não?

Brincadeiras à parte, está difícil conseguir algo além da Copa Sul-Americana, mas o campeonato está tão doido que sabe-se lá. Se voltasse a ganhar em casa, a coisa podia pegar no breu. Porque quem ganha jogos como o Figueira está vencendo fora de casa, não precisa muito mais para fazer história definitivamente.

Neste momento, faltando ainda três partidas para completar a 29ª rodada, o Figueirense realiza a quinta melhor campanha como visitante. São 20 pontos ganhos em 15 jogos, com 44,4% de aproveitamento (amanhã faço um post com os números completos).

Só perde justamente para quatro dos cinco primeiros colocados do campeonato. Na frente do Figueira, em pontos ganhos como visitante, estão São Paulo, Flamengo, Vasco e Corinthians. Ou seja, se dependesse do desempenho fora do Scarpelli, o Figueira estaria na Libertadores.

Não há momento melhor para retomar o caminho das vitórias em seus domínios. Mais três pontos ganhos praticamente sepultam a possibilidade de rebaixamento. Nada melhor do que comemorar o fato com um grande triunfo no Scarpelli e a partir daí ambicionar coisa melhor.

O jogo

O time inteiro fez uma boa partida. Alguns se destacaram mais, como Wilson, Roger Carvalho, Ygor, Túlio e Wellington Nem. Outros não brilharam, mas não comprometeram. Até Pablo e Coutinho se ajudaram mutuamente na tarefa de fechar o setor direito e não dar espaços para Júlio César, o bom lateral esquerdo do Grêmio.

No primeiro tempo, o Figueirense não ficou só se defendendo. O Grêmio criou algumas oportunidades, mas na maior parte do tempo a marcação alvinegra era boa e o time gaúcho precisava arrematar de fora da área para levar perigo.

Só que o Figueira deu respostas à altura. Segurou a bola no ataque em alguns momentos e também criou chances, mais claras que as do Grêmio, inclusive, até abrir o placar e logo depois fazer o segundo gol.

Outro ponto positivo foi que o time não dormiu em berço esplêndido depois de sair na frente, como aconteceu em Fortaleza. Continuou ligado e conseguiu levar a boa vantagem de dois gols para os vestiários.

O placar adverso obrigou Celso Roth a fazer duas mudanças no Grêmio, uma delas trocar um dos três meias por mais um atacante. Foi aí que o Figueirense viveu seu momento mais complicado no jogo.

Não que tenha sofrido uma pressão avassaladora, com o adversário criando chances seguidas de gol, mas porque o Grêmio empurrou o Figueira para trás e o Alvinegro se acomodou um pouco para defender a vantagem ou simplesmente não conseguiu mais sair para o ataque.

O time continuava bem na marcação e restava ao Grêmio lançar bola na área para ver o que acontecia. O problema disso se repetir por muito tempo é que uma hora a bola entra e geralmente não numa jogada trabalhada, mas naqueles bate-rebate que a bola entra e sai da área insistentemente e nesse balanço a defesa acaba se desorganizando. Foi assim que Edcarlos apareceu livre no segundo pau para diminuir o escore.

Só que Jorginho mexeu bem na equipe. Reforçou a marcação pelo lado direito com a entrada de João Paulo na zaga e a passagem de Roger Carvalho para a lateral no lugar de Pablo e reduziu o desgaste do meio-campo com a entrada de Jônatas na vaga de Túlio. A entrada de Rhayner em si não ajudou grande coisa ? perdeu um gol feito ? mas o técnico acertou ao tirar Aloísio em vez de sacar Elias, por exemplo.

Depois do golaço de Wellington Nem, o Grêmio morreu e o Figueira poderia ter goleado. O próprio Nem desperdiçou duas chances mais fáceis de aumentar a diferença, mas o jogo estava resolvido. O Figueirense continua mandando no Olímpico, seu segundo salão de festas, só atrás da Ressacada.

Maicon

Discordo de algumas manifestações simplistas que surgiram depois da vitória sobre o Grêmio nos comentários do pós-jogo do Meu Figueira e em outros lugares. O Figueirense pode ter vencido Santos e Grêmio sem Maicon, mas ele continua importante para o time.

Só que o Figueira tem um bom conjunto. um jeito de jogar bem definido e consegue superar a ausência, como superou outros desfalques para vencer em outras ocasiões.

O estilo de Maicon tem suas vantagens e suas desvantagens, que também podem ser encontradas em quase todos os jogadores, a não ser, talvez, em craques absolutos. Agora as vitórias sobre Santos e Grêmio não podem ser creditadas de jeito algum à ausência do camisa 8 do Figueira. Até porque nem Pittoni contra o Peixe, nem Coutinho, ontem, jogaram mais ou igual ao titular.

O que se pode registrar é que nos dois jogos sem Maicon, Ygor assumiu a incumbência de comandar o meio-campo e o fez muito bem. Desde a partida contra o Internacional que o volante alvinegro está tendo atuações soberbas e tem sido um dos melhores do time.

Então, cuidado com as avaliações precipitadas. Maicon pode não ter feito bons jogos aqui e ali e cometido sua cota de bobagens, como a expulsão no Ceará. Só que jogadores importantes como Wilson e Juninho também tiveram seus maus momentos e continuaram importantes para o time.

Num campeonato tão longo, é natural alguma oscilação no desempenho. O próprio Ygor e mesmo Túlio também tiveram alguns jogos abaixo de suas capacidades. Só que a espinha dorsal do time precisa ser mantida, precisa de apoio e confiança. Por isso, e como o jogo é em casa, é importante contar com Maicon no sábado.

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