O que mudar para voltar a vencer no Scarpelli

O Figueirense não vence no Scarpelli há cinco partidas e nas últimas nove só ganhou uma, na 14ª rodada, em 3 de agosto, quando venceu o Botafogo por 2 a 0.

Essa dificuldade não pode se dever exclusivamente à falta de sorte, coisas do futebol e/ou qualidade do adversário. Foram cinco empates e três derrotas em casa nas últimas nove partidas. É hora de fazer algo diferente.

Até poderia ser sinal de fraqueza, limitação, se o time não estivesse vencendo ninguém, mas está, então diante desses números é preciso modificar algo ou muita coisa na postura, no posicionamento, na escalação, no sistema tático para voltar a vencer, ainda mais num momento tão importante do campeonato.

Escalação

A primeira mudança já aconteceu no time titular que começou o jogo contra o Santos. Sem poder contar com Elias e Fernandes, depois de 25 rodadas, finalmente Jorginho percebeu que improvisar na posição, como já fez com Coutinho e repetidamente com Rhayner, não estava funcionando e foi buscar Deretti no time júnior.

O garoto não comprometeu em Santos, tem potencial e, com Fernandes e Elias ainda em processo de recuperação, deve começar o jogo de domingo. É uma mudança positiva e aí cabe à torcida ter paciência com Deretti, principalmente no começo do jogo, para o atleta poder se ambientar ao Scarpelli cheio.

Wellington Nem e Júlio César têm feito gols, então soa injusto tirar um deles do time para botar um centroavante mais fixo. O candidato a sair seria Nem, que no Scarpelli só fez um gol e participa do jogo bem menos do que seu companheiro de ataque. Sinceramente não tenho uma opinião fechada sobre se é melhor manter a dupla ou escalar Julio Cesar ao lado de Somália, Aloísio ou Héber. Digam vocês o que acham.

Posicionamento

Seria bom pensar também em adiantar a marcação e pressionar a saída de bola do adversário, coisa que o Figueirense rararamente faz, inclusive quando joga no Scarpelli. É difícil sustentar essa tipo de posicionamento durante um jogo todo, mas começar sufocando o outro time pode ajudar a abrir logo o placar.

Se conseguir isso e fizer um a zero no começo da partida, não pode simplesmente mudar o posicionamento e voltar para trás da linha do meio-campo e esperar o adversário. O time pode se posicionar mais atrás, mas não pode se limitar ao contra-ataque quando se tem muito jogo pela frente. Deve tentar manter a posse de bola, que é um meio muito eficiente de controlar o andamento da partida e não correr risco, além de poder ampliar a vantagem.

Sistema defensivo

No posicionamento defensivo tem algo que me incomoda e faz tempo, não é coisa do Jorginho. Se Mário Sérgio exagerava no recurso da linha burra, o que acabou nos custando caro. Os técnicos que o sucederam deixavam a defesa muito enterrada no campo defensivo. Goiano às vezes até exagerava ao lançar o time para o ataque, deixando a zaga no mano-a-mano, mas na maior parte do tempo, a defesa demorava e ainda demora para sair de trás, principalmente quando afasta a bola em faltas laterais e escanteios lançados para a área.

Marcar em linha é um risco, mas descompactar o time também é. No segundo tempo da partida contra o Internacional teve um lance que ilustra isso. O Inter foi ao ataque, a defesa do Figueira cortou a bola, o time alvinegro fez a transição para o ataque, perdeu a bola, o Colorado veio na sobrecarga e a defesa alvinegra ainda estava na linha da sua própria grande área dando condições de jogo aos atacantes. E o meio do Inter teve todo o espaço do mundo para tramar a jogada, já que havia uma avenida entre os defensores do Figueira e o resto do time.

Outra questão importante é arrumar certinho a cobertura a Bruno e, principalmente, Juninho. Bruno marca melhor, mas é uma das armas ofensivas do time e o setor dele tem que ficar bem protegido.

Juninho tem problemas na marcação e isso não é novidade. Vários bons laterais que surgiram no Brasil se destacaram justamente por sua capacidade ofensiva e não pela força defensiva. O jogador é jovem e precisa tentar melhorar nesse quesito, mas o time tem que estar atento para dar seu apoio. Aliás, o básico no futebol é evitar ao máximo deixar o defensor de mano com o atacante.

No clássico, contra o Santos e em outros jogos, saíram gols nas costas de Juninho. Na Vila Belmiro, mesmo com ele errando ao tentar dar um chutão houve tempo para a defesa se reposicionar.

O jogador do Peixe parou na frente de Juninho, ficou um bom tempo parado, fez um drible previsível que o bom lateral alvinegro não evitou, mas mesmo assim não veio cobertura alguma. Se alguém chega junto quando Felipe Anderson deu o drible da vaga, a jogada morria ali. Se cabe a Edson Silva ou aos volantes fazer essa cobertura aí é com Jorginho e os jogadores.

No mais é estar atento para as principais armas do Coritiba. Os chutes de média e longa distância com Léo Gago, as arrancadas de Marco Aurélio ? Rafinha não deve jogar ? e as bolas áreas com Emerson estão entre elas.

Quando o silêncio vale ouro

Mal voltou de mais um tour pela Europa e o presidente do Figueirense já falou bobagem ? leia no Meu Figueira. Claro que se pronunciou depois do time vencer, porque quando as coisas não estão boas, não se vê nem se ouve o homem.

Pensei em dar uma resposta, mas a coisa é tão estapafúrdia, tão fora de propósito, tão ridícula, que nem vale a pena dar trela a mais uma declaração completamente infeliz do atual presidente do Figueirense. O post do Filipe Soeiro no Blog do Tainha, os comentários dos torcedores alvinegros no Meu Figueira e no twitter já disseram o que deveria ser dito.

Agora é pensar no que interessa, a partida contra o Coritiba. Não vale a pena gastar vela com quem não merece. Bola para frente e que domingo chegue logo.

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