Mais um empate: o mesmo de sempre

O torcedor que pensava que ambicionar mais neste campeonato era coisa de maluco eternamente insatisfeito, deve ter saído feliz com o jogo ruim e mais um empate no Scarpelli. Levando-se em conta só o que não fizeram Figueirense e Coritiba na partida deste domingo, os dois estão fora do páreo por uma vaga na Libertadores.

Foi um jogo feio, truncado, com faltas e passes errados em excesso. Os dois times mostraram muito mais receio de perder do que vontade de ganhar. O zero a zero premiou o excesso de cautela de ambos.

Na quinta-feira passada, escrevi um post intitulado O que mudar para voltar a vencer no Scarpelli. Não que os pitacos que dei naquele dia fossem os mais adequados e corretos. Posso até não saber muito bem o que fazer para voltar a vencer no Scarpelli, mas já vi o óbvio: algo tem que mudar no esquema, na mentalidade, na escalação, no posicionamento ou no que mais seja para reencontrar o gosto da vitória. Neste domingo, o Figueirense só repetiu mais do mesmo.

Os desfalques fazem falta, obviamente. A ausência de Juninho hoje foi muita sentida ? o bom é que diante da fraca apresentação de Helder, Juninho deve ganhar uma folga nas reclamações.

Só que o Figueirense fez a maioria dos últimos 10 jogos em casa, no qual só venceu um, com o time completo ou quase. Então, a falta de vitórias tem muito mais a ver com o jeito de jogar. É muito mais fácil armar uma retranquinha básica, um pega-ratão ? que alguns qualificam exageradamente como ?nó tático ? fora de casa para anular o adversário, forçar o erro e jogar com velocidade no contra-ataque, do que preparar o time para furar o pega-ratão alheio.

Aliás, guardadas todas as proporções, principalmente de talento individual à disposição, era o mesmo problema que a Seleção de Dunga e Jorginho enfrentava. Suas melhores vitórias ocorreram contra times, como a Argentina, que vinham para cima em vez de ficar trancados atrás. Quando não tinha o contra-ataque, a seleção brasileira penava para vencer até Bolívia e Peru.

No segundo tempo, várias vezes o Figueirense ia para o ataque com três ou quatro jogadores. O resto ficava lá pelo meio-campo para não dar espaço para o Coxa. Quando o time perdia a bola, os jogadores adversários tinham espaço para caminhar com a bola sem serem importunados. Jorginho sacou Deretti, que fazia uma partida discreta, mas não botou ninguém no lugar. Somália entrou, mas tanto Júlio César quanto Wellington Nem continuaram jogando como atacantes. O primeiro é que voltava de vez em quando para tentar armar algo. Nem continuava em seu autismo pelos lados do campo. Insistir com ele de meia é o mesmo que botar Coutinho ou Rhayner por ali.

Adiantar a marcação, abafar o o outro time são conceitos descartados no Scarpelli. A melhor chance do segundo tempo, nasceu assim. Roubaram a bola do lateral direito do Coritiba no campo de ataque e lançaram Wellington Nem, que, por jogar num time só dele, perdeu a bola ao tentar a jogada individual em vez de fazer o passe para Júlio César ou Somália que estavam no mano-a-mano com dois zagueiros.

Então vamos que vamos. O Fluminense venceu e a diferença para o último classificado para a Libertadores subiu para sete pontos. O que já era bem difícil, ficou ainda mais complicado. Negócio é cumprir tabela até o fim do campeonato sem muito estresse, se satisfazer com a Sul-Americana e se divertir com a desgraça vivida pelo time do Sul da Ilha. Poderia ser melhor, mas é o que temos.

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