Vitória importantíssima

Pela seqüência dos jogos, a vitória em Chapecó foi fundamental. A diferença para o Criciúma continuou em apenas um ponto. No sábado, o Figueira pega o Brusque em casa. Depois, vai a Criciúma e recebe o Atlético Tubarão e o Avaí no Scarpelli. Enquanto isso, o Criciúma sai para pegar um Joinville desesperado, à beira do rebaixamento, enfrenta o Figueira em casa, vai a Chapecó e recebe o Brusque. Em tese, a seqüência do time do Sul do estado é mais complicada.

A vitória contra o Brusque e depois outra em Criciúma, colocam o Figueira na liderança, com dois jogos seguidos em casa para fazer. Dependendo dos resultados deste fim-de-semana, até um empate em Criciúma pode ser um bom resultado.

Horário só para referência

De todos os jogos que vi neste estadual, seja no estádio, na TV aberta ou no PPV, não houve um que começasse no horário. São sempre cinco ou 10 minutos de atraso, no mínimo. O próprio Figueirense anda contribuindo decisivamente para isso. No Scarpelli, o time inicia o aquecimento no vestiário e vem para o campo finalizá-lo faltando cinco ou 10 minutos para o início do jogo. Já teve partida que o adversário entrou no gramado para iniciar o confronto e os jogadores alvinegros ainda estavam se aquecendo. Será que a multa por atraso é simbólica ou não existe?

Além disso, um dos motivos para fechar contrato de TV aberta com a Record foi que a emissora, além de pagar mais, aceitou transmitir os jogos noturnos às 20h30 e não no horroroso 21h50 global. Isso funcionou no ano passado. Esse ano a Record já empurrou os jogos de quarta-feira para as 21 horas.

Um homem feliz

Cleiton Xavier não é craque, mas está numa fase iluminada. Mostrando uma inesperada vocação artilheira, lidera a equipe em campo, faz gol de fora e de dentro da área, arma o jogo, contribui na marcação. Faz quase tudo, em suma. Está batendo um bolão. No sábado, fez dois golaços. O segundo, principalmente, foi uma pintura por toda a jogada. A arrancada, o pivô feito por Bruno Santos e o tapa de Cleiton por cima do goleiro. Uma maravilha.

Apesar do estadual não ser o parâmetro ideal, Cleiton deve estar jogando como nunca jogou na vida. E aí fica a pergunta: vale a pena sair do Figueira nesse momento?

Tá certo. É um profissional, a carreira de jogador é curta, cheia de imprevistos e percalços. Tá certo que centenas de times pelo mundo todo podem pagar mais do que ele ganha no Furacão Alvinegro.

Não faço idéia de quanto seja o salário de Cleiton no Figueira, mas deve estar bem acima da média do trabalhador brasileiro e da maioria dos jogadores de futebol do país. Deve dar para viver com um bom conforto e sobrar algum para o futuro. Uma transferência, portanto, não é caso de vida ou morte.

Vale a pena ir para o Flamengo, ser mais um na multidão de volantes que povoa o time da Gávea e correr o sério risco de receber salário de vez em quando?

Vale a pena ir para algum país do segundo ou terceiro escalão do futebol mundial e ter que se adaptar aos usos e costumes de outro povo, além das dificuldades de ambientação ao estilo de jogo do futebol local?

Se não vier uma proposta absolutamente irrecusável, por que partir?

Casado há pouco tempo, com uma filha de alguns meses, mais do que um jogador vivendo uma boa fase física e técnica, Cleiton Xavier parece ser um homem feliz, que está fazendo o que gosta num lugar onde se sente bem. Como se mensura isso? Quanto vale essa satisfação?

A hora certa de mudar

O comentário acima é motivado pelos inúmeros exemplos de jogadores que mudaram de time açodadamente, por vontade própria ou incentivados e até pressionados pelo desejo de empresários e clubes de fazer dinheiro rapidamente. Aí mudam diante da primeira proposta que aparece, não importando para onde, só importando o ganho imediato.

Um exemplo que me vem à cabeça é o do lateral esquerdo Filipe, uma das maiores revelações do Figueira nos últimos anos. Alçado ao time principal com 17 anos, em 2003, Filipe foi convocado para as seleções brasileiras de base e disputou um mundial sub-20.

Em 2003, quando apareceu bem no campeonato brasileiro, foi logo negociado com o empresário Juan Figger, que já estragou a carreira de diversos bons jogadores, fazendo-os vagar por uma infinidade de clubes, sem nunca se fixar e na maioria das vezes sem deixar nenhuma marca, tendo uma carreira muito menos efetiva do que poderiam.

E se os clubes brasileiros, e o Figueirense não é exceção, querem ou precisam fazer dinheiro logo, o jogador tem o poder de vetar uma transferência. Tudo depende da concordância dele. Filipe, que poderia ainda estar no Figueirense, ou então ter ficado mais tempo no clube e depois sair em melhores condições, preferiu passar por um longo desterro nos times B de Ajax e Real Madrid. Hoje joga finalmente numa grande liga européia, a espanhola, mas num time que não é nem sombra de seu passado recente. O Deportivo La Coruña, que já conquistou títulos e fez grandes campanhas, passa por uma grave crise e seu único objetivo no momento é não ser rebaixado.

Por conta de suas escolhas, Filipe sumiu do radar. Poderia hoje ter uma carreira muito mais sólida e ser um dos candidatos a disputar os Jogos Olímpicos de Pequim, mas a essa altura ninguém se lembra dele. De certo, ganhou um bom dinheiro, mas pensando no longo prazo, na parte financeira e pessoal, valeu a pena?

Lição para toda vida

Se tem uma coisa que jogador que passou pelo Figueira realmente aprende quando veste a camisa do Furacão Alvinegro, é fazer gol e ganhar do Avaí. O cara pode não fazer mais nada na vida, mas essa lição ele não esquece.

No domingo à noite, em Itajaí, o bom e velho Genílson de guerra, já em fim de carreira, fazendo sua reestréia no Marcílio Dias, deixou sua marca contra o time do Sul da Ilha logo aos três minutos de jogo.

No segundo tempo, depois do Avaí empatar o jogo em 2 a 2, Felipe Oliveira, que nunca foi mais do que mediano e não deixou saudades depois de sua passagem no Figueira, veio do banco para fazer o terceiro gol do Marcílio.

Parafraseando o velho Benjor, a magnética ensandecida agradece…

Três vira, seis ganha

O Furacão Alvinegro não teve dificuldades para vencer o Guarani por 6 a 2, nesta noite de sábado, no estádio Orlando Scarpelli. Ficou a impressão que se jogasse mesmo ?a vera? poderia ter feito 10 ou 12, tal foi a quantidade de chances criadas.

O time mostrou novamente o repertório exibido nos 4 a 0 contra o Joinville. Toques rápidos, velocidade na transição da defesa para o ataque, ultrapassagens, aproximações e muita movimentação. Cleiton Xavier está jogando cada vez mais. Leo Matos fez um bom primeiro tempo e César Prates, em seu lugar, fez um segundo tempo ainda melhor. Rodrigo Fabri também foi bem. Bruno Santos parecia nervoso no 1º tempo, embora tenha feito uma ?deixada? genial para o gol de Fabri, e melhorou na 2ª etapa. Wellington Amorim se movimentou, lutou, mas já fez partidas melhores.

A defesa é que ainda precisa de um acerto melhor. Se atrapalha em muitos momentos, mas também está melhorando. Em resumo, foi um bom treino, com direito a belíssimos gols.

Cleiton Xavier de saída?

O blog do jornalista Rodrigo Faraco informa que Cleiton Xavier tem duas propostas para deixar o Figueira, uma do Flamengo e outra do exterior, e dificilmente disputará o campeonato brasileiro pelo Furacão Alvinegro. Cleiton tem contrato com o Figueira até o final do ano, mas seu vínculo é com o Internacional-RS, de onde veio por empréstimo. Se a transação for confirmada, será uma grande perda. Cleiton vive uma grande fase.

Vida de torcedor no Brasil não é fácil. É só um jogador se destacar um pouco que aparece alguém para levar. Se bobear, tem que se torcer para o cara jogar bem, mas não muito, para não aparecer nenhum olho grande.

Bem que a diretoria do Figueira poderia descobrir uma equação dentro da engenharia financeira e orçamentária para segurar Cleiton Xavier no clube até pelo menos o final do ano. A torcida agradeceria.

Não há pressa

Não há motivo para apressar a estréia de atacante Tuta no Figueirense. O time já está garantido na final do campeonato e tem boas alternativas para o ataque, mesmo com a contusão de Edu Salles. Tuta é um jogador veterano, com dificuldades de se manter no peso ideal e que vem de uma longa inatividade. É melhor fazer uma boa preparação e não correr o risco de lesões.

Qual o valor dos estaduais?

Não sou contra os campeonatos estaduais. Eles têm o seu espaço e podem servir de preparação para outras competições. Poderiam ser mais curtos, se desenhando um novo calendário, que garantisse outras competições nacionais e regionais para os times que não estão nas séries A e B. Em Santa Catarina, seria mais interessante se a 1ª divisão estadual fosse limitada a oito participantes. Teria menor duração e seria mais competitiva.

Mas não é bem disso que quero tratar nesse post.

Minha dúvida é o que representa o desempenho no estadual como projeção para o restante da temporada. Creio que é ponto pacífico que um mau desempenho no campeonato catarinense significa sofrimento na série A. Mas o inverso não é verdadeiro. Não é por ir bem no estadual, até sendo campeão, que o time vai fazer um brasileiro arrasador.

Outra coisa que chama a atenção, é a diferença entre discurso e prática da torcida. Para boa parte dos torcedores do Furacão Alvinegro, o estadual tem que ser priorizado por ser a competição em que a possibilidade do Figueira ser campeão é mais concreta. Só que a média de público nesse torneio é inferior a do campeonato brasileiro.

Segundo levantamento reproduzido pelo blog Gigante Alvinegro, o Figueira lidera a estatística de público do campeonato estadual, com média de 6.220 espectadores por jogo. O número é inferior ao registrado no último brasileiro no Scarpelli, cuja média foi de 8.903 pessoas por partida. Registre-se que essa última média é inferior a dos anos anteriores.

Quer dizer, o torcedor quer ser campeão estadual, vai reclamar se o time fracassar, mas não está muito disposto a ir ao estádio para torcer pelo clube.

Considero o estadual muito importante porque garante vaga na Copa do Brasil, competição imprescindível no atual estágio vivido pelo Figueira. Neste ano, por exemplo, o clube sente os efeitos do pífio desempenho no catarinense de 2007 e não participa da competição.

A principal missão do Furacão no estadual foi cumprida ao vencer o 1º turno e garantir, no mínimo, o vice-campeonato e a conseqüente vaga na Copa do Brasil de 2009. Se o 15º título estadual vier, melhor ainda.

Fica para depois

Avaí e Criciúma obtiveram efeito suspensivo das perdas de mando de campo e a novela vai se arrastar por mais um bom tempo. Não sou advogado, mas confesso que não entendo porque a justiça desportiva brasileira copia, mais ou menos, o rito processual da justiça comum do país, com prazos e mais prazos para defesa, além de direito a recursos e mais recursos.

Até porque a Justiça Desportiva funciona basicamente por um acordo de cavalheiros. Mesmo não sendo advogado, sei que o direito de qualquer cidadão recorrer à Justiça é uma garantia constitucional e não pode ser cerceado. Assim, os envolvidos no futebol (clubes, dirigentes, profissionais) aceitam, cavalheirescamente, se submeter às decisões no âmbito esportivo e não recorrer à justiça comum, embora tenham esse direito.

Se não fosse desse modo, o futebol estaria morto, pura e simplesmente. Imagine se um clube, por algum motivo, se sentisse prejudicado ao ser eliminado na semifinal de um campeonato jogada na quarta-feira. Aí na quinta, ingressa com um pedido de liminar na Justiça comum para que a final não se realize. Ganha. A final é suspensa. Aí vem uma enxurrada de recursos de todos os lados envolvidos. Enquanto isso, a decisão não ocorre. Uns 10 anos depois, esgotadas todas as instâncias e finalmente publicada a sentença final, o jogo pode acontecer. Os clubes envolvidos vão fazer o quê? Resgatar ex-jogadores da aposentadoria, chamar de volta aqueles que se transferiram para outros times? Fazer uma campanha de mídia para relembrar os torcedores que a decisão se refere a um campeonato de 10 anos atrás? É inviável.

Por isso, não entendo porque a justiça desportiva não funciona como em muitos países da Europa. Um comitê disciplinar que logo depois da rodada recém realizada, se reúne, analisa os fatos, teipes e súmulas e emite sua decisão. E fim de papo.

Evitaria, por exemplo, que aquela decisão sobre a invasão de campo jogo entre Figueirense e Caxias, no final da série B de 2001, se arrastasse por seis ou sete meses, ao curso dos quais, até decisão não prevista no código disciplinar foi emitida para beneficiar o Caxias. Mas essa é outra história.

Seria muito mais simples se um comitê disciplinar se reunisse dois ou três dias depois de jogo, analisasse os acontecimentos e tomasse uma decisão. Valeu o resultado? 1 a 0 para o Figueira, gol do Abimael? Valeu. Assunto encerrado. Não valeu? O que pode ser feito? Novo jogo? Então no dia tal, em tal horário e lugar, os times reeditam a partida. Assunto encerrado.

Também não entendo, no caso de Avaí e Criciúma, porque certas penas têm direito a um efeito suspensivo automático, bastando entrar com um recurso contra a decisão. Então para que armar todo o circo para um julgamento em primeira instância que não vai valer para quase nada? Seria mais prático ir direto para o pleno do Tribunal e economizar tempo e dinheiro.