Síndrome de Mário Sérgio

Nesse campeonato estadual, Alexandre Gallo, técnico do Figueirense, tem sofrido acessos retranqueiros dignos de seu antecessor Mário Sérgio. O interessante é que durante o brasileiro do ano passado, jogando contra times bem mais qualificados do que agora, essa característica não tinha surgido. Pelo contrário, Gallo botou o time mais para frente e parou de tratar cada adversário como se houvesse um abismo técnico e financeiro entre ele e o Figueira, como Mário Sérgio costumava fazer.

Na noite desta quarta-feira, na merecida derrota para o Juventus, em Jaraguá do Sul, Gallo escalou o único time que ele não deveria botar em campo. Rodrigo Fabri de atacante ao lado de Wellington Amorim; o miolo do meio-campo com Carlinhos, Diogo e Cleiton Xavier e mais três na zaga ? Felipe Santana, Asprilla e Bruno Perone.

O técnico poderia ter mantido os três zagueiros, mas formado o meio com Diogo, Cleiton e Fabri, com Bruno Santos no ataque. Poderia ter voltado para o 4-4-2, com dois volantes. Escolheu, no entanto, a pior formação. É muita gente para maltratar a bola e pouca gente para fazer algo produtivo com ela. Dizer que o gramado estava pesado e seria um jogo de choque ? suponho, não ouvi ou li nada depois do jogo ?, não serve de justificativa.

Na minha visão, quem sabe jogar bola, joga na chuva, na lama, com gramado ruim, com adversário fungando no cangote e batendo no tornozelo. Quem maltrata a pelota no tapete do Scarpelli, vai castigá-la mais ainda num pasto enlameado como o da noite passada.

Fazia tempo que eu não via um time tão povoado de defensores se defender tão mal. E não foi só ontem. Em vários outros jogos foi assim. A equipe joga toda aparteada. São os três zagueiros e os dois laterais enterrados na entrada de sua própria área, com um vão os separando dos volantes e uma avenida entre estes e o meia e os dois atacantes. Para piorar, Bruno Santos, o único atacante capaz de trombar com os beques, correr atrás das bolas esticadas pela defesa e tentar fazer a parede para quem vinha de trás, ficou no banco. Fruto disso, no primeiro tempo o Figueira teve uma mísera chance de gol, numa cobrança de escanteio. Quando Bruno Santos entrou, o time continuou jogando mal, mas criou um pouco mais.

É isso que é mais preocupante. Se contra times tão limitados tecnicamente, o Furacão Alvinegro sofre tanto na defesa, como será no Brasileiro?

De qualquer forma, de novo começamos tendo que correr atrás dos outros. No primeiro turno, o time conseguiu se recuperar. Só resta torcer para que isso se repita.

Uma boa enquete

Qualquer dia desses, vamos disponibilizar uma enquete-bolão neste blog. A pergunta será simples: quantas vezes o narrador da TV Record errará o nome dos jogadores na transmissão de hoje?

É impressionantemente irritante. O homem acerta uma em 20. Na noite passada ainda tinha a desculpa da iluminação ruim, da chuva e dos uniformes enlameados, mas pode dar sol, as camisas estarem limpíssimas, os números absolutamente visíveis e ainda assim é erro depois de erro. Ah, estamos na 12ª rodada do campeonato, não pode se justificar dizendo que não conhece os jogadores. Ainda mais quando se trata do Figueira, que teve sua quinta partida transmitida pela emissora.

A maratona continua

Quando entrar em campo nesta quarta-feira à noite em Jaraguá do Sul para enfrentar o Juventus, o Figueirense vai fazer sua 12ª partida em 37 dias, média de um jogo a cada três dias. Antes dessa maratona, a equipe fez uma curta pré-temporada, de pouco mais de 15 dias e que, supostamente, deveria preparar a base física para toda a temporada.

Por conta disso, alguns jogadores já enfrentaram ou enfrentam lesões musculares e outros tiveram um desempenho abaixo da crítica nas primeiras partidas, como o lateral/meia Marquinhos.

Os números acima mostram que o calendário do futebol brasileiro precisa de ajustes. Melhorou bastante, principalmente para quem está garantido nas séries A e B, mas são justamente esses que mais sofrem porque os campeonatos estaduais começam mais cedo do que deviam.

Talvez a situação melhore em 2009, quando em vez dos atuais 12 participantes o campeonato catarinense terá 10. Isso se não fizerem uma fórmula mirabolante que estique a competição até as portas da série A do brasileirão.

Jogo para medir a pressão

O jogo desta noite vai servir para ver se o Furacão Alvinegro conseguirá manter o foco ou se deixará dominar pelo relaxamento natural depois de ter garantido vaga na decisão do estadual e na Copa do Brasil 2009.

Os retornos de Asprilla e Rodrigo Fabri são boas notícias. Carlinhos, mesmo liberado da suspensão, pode ficar em Florianópolis que ninguém dará por sua falta. A má notícia é a ausência do artilheiro Edu Sales.

Neste turno, o Figueira terá a vantagem de fazer seis jogos em casa e cinco fora. Dos jogos em casa, os mais encardidos prometem ser contra Joinville ? pela rivalidade e não pelo momento atual do JEC ? e o clássico contra o Avaí. Fora, paradas duras contra Criciúma, Chapecoense e Metropolitano.

Para começar, espera-se que o time tenha aprendido a lição do turno e não desperdice pontos bobos. O jogo de hoje contra o Juventus, por exemplo, é daqueles que não se pode ganhar menos de três pontos.

Demagogia não resolve

Seria muito fácil aproveitar a tragédia ocorrida no estádio Heriberto Hülse, em Criciúma, no último domingo, quando um senhor de mais de 60 anos de idade teve sua mão praticamente arrancada por um artefato explosivo, para detonar a torcida do Avaí. Não vamos trilhar este caminho. A presença de gente disposta a fazer confusão e partir para a violência, principalmente dentro de torcidas organizadas, não é exclusividade dos avaianos, embora estes tenham se metido em diversas ocorrências nos últimos anos, por razões que poderemos abordar em outro momento.

Muito fácil é bradar por soluções tão bombásticas e pretensamente radicais quanto inócuas, ineficientes e até perigosas. Muita gente da mídia costuma fazer isso toda vez que um caso de violência estoura nas arquibancadas.

A primeira medida inócua e bombástica é propor o fim das torcidas organizadas, como se, sem um CGC e camisetas uniformizadas, os criminosos infiltrados nesses grupos fossem parar de cometer crimes e como se isso fosse impedir que um grupo de pessoas se juntasse para torcer pelo seu time. Não funcionou em São Paulo e não vai funcionar em lugar algum.

A segunda medida igualmente ineficiente e com um potencial explosivo significativo já foi anunciada pela Federação Catarinense de Futebol nesta segunda-feira à tarde: o fim da divisão entre torcidas nos estádios durante este campeonato estadual. Ou seja, quem quiser torcer pelo seu time num jogo fora de casa não vai poder estar uniformizado e vai ter que ficar no meio da torcida adversária. Além disso, vai ter que ter um autocontrole absolutamente zen para não comemorar gol de seu time, ficar quieto o jogo inteiro e, se for o caso, festejar gol do adversário, sob o risco de ser trucidado durante a partida caso não cumpra essas recomendações.

Tudo isso desestimula um torcedor a viajar com o time? Sim. Impede? Não. Ainda mais quando o jogo for decisivo. E aí o risco de um linchamento ou de uma pancadaria generalizada se torna ainda mais real, e mais incontrolável do que cada torcida em seu canto.

O que precisa ser feito, além de medidas realmente preventivas que impeçam, por exemplo, que uma bomba caseira entre num estádio de futebol, é investigar com competência, identificar quem cometeu o crime, processá-lo e puni-lo. Havia centenas de torcedores do Avaí em Criciúma, mas não foram todos eles que jogaram a bomba. Foi um, talvez com ajuda de um ou mais cúmplices, que arremessou o artefato. É ele que deve ser punido.

A punição ao clube, no campo esportivo, com perda de mandos de campo, também pode ser um caminho para desestimular atos desse tipo, por seu caráter exemplar e educativo. O Figueirense quase perdeu sua vaga na série A por invasão de campo. Perdeu mandos de campo e seu retorno à primeira divisão foi abalado por sete ou oito jogos consecutivos fora de Florianópolis. Depois disso, mais nenhuma invasão foi registrada nas comemorações de título. O clube já perdeu também mandos de campo por objetos arremessados no gramado. Depois disso, nas poucas vezes em que alguém jogou algo no campo foi imediatamente denunciado para a PM por outros torcedores.

Em Santa Catarina, no entanto, nada tem funcionado direito. O TJD é uma figura decorativa. A vistoria nos estádios é uma piada. Rodada após rodada, setores da mídia, dirigentes, treinadores e jogadores fazem discursos inflamados contra erros de arbitragem, denunciando supostos esquemas, armações e roubalheiras, o que só faz acirrar os ânimos das torcidas.

Tudo então tem que ser repensado, mas, por favor, sem demagogia, sem soluções inócuas e bombásticas. Não será isso a resolver o problema.

Já que entregaram…

O Figueirense parecia não estar muito a fim de vencer o 1º turno do estadual. Um tropeço aqui, outro acolá e o time sempre esteve atrás dos líderes. Só que os rivais felinos resolveram entregar o turno. O Figueira não podia se fazer de rogado e perder a oportunidade de mostrar sua boa educação: aproveitou os regalos e abocanhou a vaga na final e, mais importante, na Copa do Brasil de 2009.

As chances para tirar o Furacão Alvinegro da parada foram muitas.

Na sexta rodada, o Criciúma,invicto, com um jogo e cinco pontos a mais, veio o Scarpelli e poderia mandar o Figueira para o limbo. Tomou 4 a 2.

No oitava rodada, o Avaí, invicto, com quatro pontos de vantagem, poderia acabar com as chances do Figueira na Ressacada. Tomou 3 a 0.

Na penúltima rodada, Criciúma e Avaí poderiam eliminar o Figueira se vencessem seus jogos. Ambos perderam partidas imperdíveis, em desastres homéricos e deram a possibilidade do Alvinegro chegar ao último jogo ainda respirando.

Na última rodada, o Avaí continuava dependendo somente de si, bastando vencer em Criciúma. Mais uma vez morreu na praia.

O Figueira não podia desperdiçar a chance e não desperdiçou. Venceu o Atlético de Ibirama por 4 a 2 e comemorou a conquista do 1º turno no Orlando Scarpelli.

Tem muita gente que comemora antes da hora. Mais do que começar bem, o fundamental é terminar bem. O Figueira foi líder por uma única rodada, a última, aquela que realmente interessava. E fez isso superando todas as adversidades. Não mostrou um futebol exuberante. Ultrapassou, no entanto, as deficiências em seu elenco, as contusões, os tropeços contra os pequenos e mostrou porque é um time de chegada.

Contando com o clássico, o Figueira conquistou 13 pontos em 15 possíveis. Nestes mesmos cinco jogos, o Avaí somou sete pontos, enquanto o Criciúma somou os mesmos sete pontos em quatro jogos (a dupla da capital tinha uma partida a menos, pois seus confrontos da 1ª rodada foram adiados). A conquista é incontestável.

Correções para ganhar o returno

Nem tudo é festa, no entanto. Desfeita a carga de ter que garantir a vaga no final, o Figueira pode render mais no returno, se não relaxar. A conquista, porém, não esconde as deficiências da equipe. A zaga continua batendo cabeça e está sendo salva pelos milagres do goleiro Wilson. Falta ainda um bom sistema de proteção aos zagueiros, coisa que Carlinhos não parece capaz de fazer. César ainda não disse a que veio e o time escalado com três zagueiros parece ficar ainda mais confuso. Na lateral-esquerda está jogando o improvisado Marquinhos, que mesmo subindo de produção, ainda está longe de ser o ala que a equipe precisa. Ainda mais para quem se acostumou a ver a posição ocupada por jogadores como Lino, Filipe, Michel Bastos e André Santos.

A chegada de Tuta, ex-Grêmio, Fluminense e uma penca de times, reforça o ataque, mas essa não era a maior carência da equipe. No momento, as carências estão localizadas na lateral-esquerda e no médio-volante. É de se pensar em mais um zagueiro, seja da base campeã da Copa São Paulo ou vindo de fora. Principalmente quando se tem a série A do Brasileiro pela frente, privilégio único entre os times de Santa Catarina.

Um olho no padre e outro na missa

Os resultados do meio de semana ressuscitaram o Figueira no 1º turno do campeonato catarinense. Em determinado momento, o Furacão Alvinegro esteve eliminado da disputa pela primeira vaga na decisão do estadual. A virada da Chapecoense na Ressacada, no entanto, aliada à vitória do Guarani, no Scarpelli e à vitória do Figueirense em Itajaí, recolocaram a equipe mais vezes campeão na disputa.

O Figueira depende de um tropeço do Avaí em Criciúma, além de sua própria vitória neste domingo no estádio Orlando Scarpelli, mas para quem foi considerado clinicamente morto, é um progresso e tanto entrar em campo com a possibilidade real de ganhar o turno.

O time tem desfalques importantes, sendo o principal deles a ausência de Rodrigo Fabri, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Já que o técnico Alexandre Gallo não anuncia a escalação antecipadamente, dou meu modesto de pitaco de torcedor. Considero que a vaga de Fabri deva ser preenchida por César Prates, já que Fernandes está contundido. Prates jogou como quarto homem de meio-campo na Europa e no próprio Figueirense, em sua passagem anterior pelo clube. Tem velocidade, boa visão de jogo, bom passe e boa conclusão em gol, além de ter a experiência que o momento exige.

Para a vaga do zagueiro Asprilla, a melhor alternativa e formar a zaga com Bruno Perone e Felipe Santana. Para o lugar de Carlinhos, escalaria Luiz Henrique, autor do terceiro gol em Itajaí. O garoto está motivado e tem mostrado algumas boas qualidades. E convenhamos: a ausência de Carlinhos já é um reforço em si.

Então que o domingo seja de muita festa, com casa cheia, mais uma taça no armário e o bônus de se ver a dupla de felinos morrer abraçada no Sul do estado.

Freguês, mas nem tanto

O Atlético de Ibirama tem se revelado uma pedra no sapato do Figueira, principalmente no Orlando Scarpelli. De acordo com a coluna de Roberto Alves, no Diário Catarinense deste domingo, já ocorreram 18 jogos entre Atlético e Figueira, com 7 vitórias do time de Ibirama, 6 empates e 5 vitórias alvinegras. No Scarpelli, a vantagem continua sendo do Atlético, com 4 vitórias, contra 3 do Figueira e 2 empates.

A touca começou a ser notada em 2002, com a derrota alvinegra por 1 a 0 na quarta rodada do turno do estadual daquele ano. Foi a única derrota na campanha que levou o Figueira a mais um título. Nos momentos mais decisivos, no entanto, o Figueira mostra sua força. No quadrangular final do catarinense de 2004, por exemplo, o Furacão não tomou conhecimento do Atlético e da escrita e venceu por 3 a 0. Nas semifinais de 2006, novamente a vitória veio, com 3 a 1 para o Alvinegro.

O Atlético tem a seu favor, portanto, a escrita, os desfalques do Figueira e a própria irregularidade do Alvinegro, que tem tropeçado contra os ditos pequenos. Já o Furacão tem a seu favor, a torcida, a tradição vencedora construída nos últimos anos e a fragilidade do próprio Atlético, que não reedita campanhas de anos anteriores. Nessa hora, sou mais Figueira.