12 jogos em casa

O campeonato catarinense de 2008 é disputado por 12 clubes, em turno e returno, logo cada clube faz 11 jogos em casa e 11 fora, certo? Errado. O Avaí vai fazer 12 jogos em casa e 10 fora, levando uma clara vantagem sobre os demais concorrentes. Isso porque o time do Sul da Ilha emprestou seu campo para o Guarani da Palhoça. Então no turno, o mando de campo era do Avaí e jogo foi na Ressacada. No returno, no próximo domingo, o mando é do Guarani e o jogo será novamente na Ressacada.

O Figueirense, por exemplo, jogou cinco vezes em casa e seis fora no 1º turno e a situação vai se inverter agora. O mesmo ocorrerá com os demais clubes, mas o Avaí fará seis jogos em casa e cinco fora nos dois turnos.

Não ouvi ou li críticas a esse arranjo nem da imprensa nem de clubes. Estão todos estranhamente silenciosos. Se o acerto do Guarani fosse para jogar no Scarpelli e a situação ocorresse com o Figueirense teria gente subindo na mesa para dar discurso enfurecido contra.

A situação é tão estranha que é público e notório que o simpático Guarani ? que ultimamente dá mais trabalho para o Figueira do que se parceiro azul de Florianópolis ? não tem torcida e só ganha dinheiro quando joga contra o Furacão Alvinegro e o Avaí. Mesmo assim, no confronto com o Figueira na Ressacada o clube reservou somente os 10% de praxe (1.300 ingressos) para a torcida visitante, deixando de ganhar uma bela grana. Talvez por isso, segundo o bagunçado site da Federação Catarinense de Futebol, o público daquele jogo foi de 1.512 pessoas (a FCF não explica se é pagante ou total). Foi pouco? Não para o Guarani, que nas quatro outras partidas levou um público total de 233 pessoas, ou pagantes, à Ressacada.

O Avaí terá mais uma vantagem, oriunda da cosmética decisão da FCF de não reservar lugar para a torcida visitante e proibi-la de ir ao estádio uniformizada, seus simpatizantes poderão ir à Ressacada e sentar em qualquer lugar do estádio, dividindo espaço com os raros torcedores do Guarani, não ficando confinada aos 10% usuais. Por uma macabra ironia, o Avaí será beneficiado por fatos lamentáveis causados, ao que tudo indica, por integrantes de sua própria torcida.

O regulamento do campeonato não impede a inversão do mando de campo. Diz o artigo 12:

?Durante todas as competições, as datas, horários e a inversão do mando de campo das partidas, constantes nas tabelas, poderão sofrer alterações:

I – por determinação do Departamento Técnico da FCF;

II – por acordo entre as associações disputantes, desde que não resulte em prejuízo de terceiros, e

que seja homologado pelo Departamento Técnico da FCF?.

O regulamento fala em acordo entre os clubes, mas também destaca que a inversão do mando de campo não pode resultar em prejuízos para terceiros. E, nesse caso, o prejuízo é evidente.

Não sei se a FCF tem um regulamento geral das competições. No site, cheio de links quebrados, ele não está. O regulamento geral das competições da CBF, no entanto, proíbe terminantemente a inversão de mando de campo, em seu artigo 13:

?§ 2° – Em nenhuma hipótese haverá inversão do mando de campo, o que considera todo o âmbito do estado, no caso de partidas interestaduais, exceção feita à inversão recíproca, ou seja a troca dos mandos de campos dos jogos de ida e volta, nas competições em que tal sistema ocorra, se aprovado pela DCO (Diretoria de Competições da CBF)?.

Seria mais correto a FCF copiar a CBF em casos como esse, evitando que um clube levasse nítida vantagem sobre os outros.

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